Atualmente são substanciais os gastos em custeio das instituições de pesquisa e educação para realizar a interconexão em área urbana dos seus campi e para obter acesso à rede da RNP, além da Internet, seja através de suas redes corporativas ou de provedores comerciais.

De um modo geral, as conexões existentes são de capacidade limitada entre 64 kbps e 1 Mbps, impossibilitando a utilização de aplicações mais modernas de comunicação. Aumentar a capacidade das interconexões entre os campi, assim como do acesso à rede da RNP, é tão caro atualmente que a manutenção deste modelo não abre perspectivas de melhorias na qualidade dos serviços de comunicação a um custo acessível para essas instituições.

A origem deste problema está no modelo adotado para montar a infra-estrutura de interconexão de campi e acesso à Internet. Em quase todos os casos, esta infra-estrutura depende de enlaces ponto-a-ponto alugados das operadoras de telecomunicações. Como regra geral, o preço dos circuitos dobra com o quádruplo da capacidade.

Rede própria com capacidade
virtualmente ilimitada a um custo atraente

A abundância de dutos e fibras ópticas que resultaram do processo de desregulamentação do setor de telecomunicações, implantadas em praticamente todas as principais regiões metropolitanas no país, além da infra-estrutura em fibras ópticas de longa distância existente para interligação das metrópoles, oferece atualmente diversas alternativas para a implantação de sistemas proprietários ou dedicados de comunicação de dados a custos atraentes. Além das operadoras de telecomunicações, estão disponíveis dutos e redes de fibras ópticas implantadas pelas concessionárias de energia elétrica, de rodovias e ferrovias, de gasodutos e oleodutos. Nas áreas metropolitanas existe infra-estrutura implantada pelas operadoras de TV a cabo ou através de rede aérea (postes) nas vias públicas.

Como alternativa às operadoras comerciais de telecomunicações, existem soluções que substituem a dependência do circuito alugado da operadora de telecomunicações por investimento em infra-estrutura própria, que pode ser um enlace de rádio ou de fibra óptica.

Soluções de rádio-enlace possuem a limitação de necessitarem de visada desobstruída entre as pontas de cada enlace, ou seja, uma ponta precisa "enxergar" a outra. A alternativa ao uso de enlaces de rádio é a utilização de conexões em fibra óptica. Esta opção possui muitas características interessantes do ponto de vista de um projeto de interconexão:

  • É um meio físico puramente passivo. Isto significa que não deixa de funcionar, exceto por acidentes externos que resultem no corte da fibra;
  • A capacidade de transmissão é praticamente ilimitada, sendo determinada pelos equipamentos eletrônicos instalados nas pontas do cabo óptico. A capacidade teórica de uma única fibra é de 50 Tbps, sendo que hoje existem equipamentos relativamente baratos com tecnologia Gigabit Ethernet, que permitem seu uso a 1 Gbps;
  • A vida útil de uma infra-estrutura de cabo óptico é prevista para exceder 20 anos. Ao longo deste período, os equipamentos inicialmente instalados poderão ser substituídos por novos, de capacidade maior, reutilizando a fibra já existente;
  • Os custos de instalação de um cabo de fibra óptica em área urbana são relativamente baixos.

Outra alternativa possível é a utilização de cabos de fibra existente em diversas áreas metropolitanas por meio de contratos de cessão de uso. Algumas empresas investiram na instalação de cabos de fibras ópticas em áreas metropolitanas, e também entre grandes cidades (longa distância). Essas empresas, em geral, não operam serviços de telecomunicações, mas oferecem o uso de suas fibras para operadoras de telecomunicações (para venda de serviços) e para empresas (para uso privado) por meio de contratos de cessão de uso por até 10 anos, a um preço competitivo com a instalação de fibra própria.

A utilização de infra-estrutura de fibras ópticas para a implantação de redes dedicadas em áreas metropolitanas reduz substancialmente o custeio da operação de uma rede de alta velocidade.

Ao viabilizar conexões ópticas entre os campi das universidades, esta infra-estrutura permite utilizar tecnologia de rede local (ethernet), de custo muito baixo, confiável e conhecido. São taxas de transmissão de 100 Mbps até 1 Gbps entre os campi, capacidades absolutamente irrealizáveis com o modelo vigente de aluguel de circuitos de telecomunicações, cujo preço é baseado na capacidade contratada.